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Agricultura digital: aprimorando as sementes

Atualmente vivemos a chamada Era da Informação. A geração, compilação e processamento de dados cada vez mais volumosos remodelam as atividades e apoiam ondas de crescimento, inovação e produtividade. A tecnologia digital reduz os custos, encurta ciclos e amplia o número de oportunidades. Essa realidade já faz parte do nosso dia a dia e traz consequentes desafios em todas as atividades, inclusive no âmbito agrícola.

É impossível não perceber os avanços tecnológicos no campo. Se no início do século XX praticava-se uma agricultura muito mais voltada à subsistência dos produtores, hoje já incorporamos a Agricultura digital”, que engloba a automação e a conectividade para a quebra de fronteiras. Em breve teremos cada vez mais propriedades com plantadeiras que dispensam motoristas e drones que escaneiam a lavoura. Sensores espalhados pela propriedade e conectados à internet já são capazes de gerar um grande volume de dados, que podem ser analisados e utilizados para melhorar diferentes processos. As informações geradas das diversas atividades de uma fazenda podem ser armazenadas na nuvem, formando um valioso banco de dados que produtores rurais podem acessar usando seus computadores e dispositivos móveis.

Todas essas ferramentas tecnológicas são fundamentais em vista dos desafios que o setor agrícola enfrentará para alimentar as 9,6 bilhões de pessoas que a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) prevê que habitem o planeta até 2050!

As técnicas e tecnologias da agricultura do futuro – ou seria do presente? – não poderiam deixar as sementes de fora.

Hoje em dia já existem equipamentos que substituem os olhos humanos em análises de lotes de sementes. São máquinas que fazem a captura de imagens e que estão interconectadas a computadores que, por sua vez, fazem o processamento digital por meio de métodos de contagem ou frequência de pixels (os elementos formadores da imagem). As análises das imagens digitais têm como base algoritmos sistematizados que servem para o arquivamento de dados e/ou comparação com padrões. Com isso é possível fazer contagem de sementes, identificar defeitos e até detectar a presença de doenças. Ao substituir os processos tradicionais, as análises digitais trazem consigo vantagens como robustez e rapidez, além de eliminarem a subjetividade da análise e interpretação humanas.

Além disso, os equipamentos de captura de imagem também são capazes de avaliar e classificar de forma automatizada a qualidade do revestimento das sementes que passaram por algum processo de tratamento na indústria ou na fazenda. Ao analisar cores e texturas de amostras de lotes de sementes tratadas, é possível determinar a qualidade de cobertura do lote de acordo com parâmetros de qualidade definidos anteriormente pelo usuário.

Uma outra solução inovadora que promete aumentar significativamente o número de sementes viáveis é o beneficiamento através de raio X. Com essa tecnologia olha-se, de fato, dentro da semente para avaliação da saúde do embrião. Com a ajuda de softwares específicos é possível avaliar se todos os componentes essenciais para o desenvolvimento do embrião estão presentes e detectar quaisquer danos provocados por pragas ou doenças durante a formação da semente. É uma tecnologia de beneficiamento automatizada e mais precisa que métodos tradicionais, e que poderá ser aplicada a sementes de diferentes culturas.

Finalmente, vale falar sobre como o aprendizado de máquina (do inglês machine learning), pode maximizar o rendimento de uma lavoura ao ajudar na seleção de sementes. Usando análises de big data, existem propostas que se valem de modelos estatísticos de variedades de sementes e levam em consideração particularidades locais, como o tipo de solo, o pH (nível de acidez ou alcalinidade) e as coordenadas de GPS de determinada região. Esses dados ajudam a prever os rendimentos e os riscos associados a diferentes sementes em uma fazenda específica, dando suporte a recomendações para o agricultor. Além disso, a escolha de mais de uma variedade de semente resulta na combinação ideal delas com o objetivo de maximizar o rendimento da lavoura. A ideia já está sendo empregada junto a produtores de milho do México e parece ser promissora e escalável para outras regiões do globo.

A revolução tecnológica que temos observado na agricultura caminha a passos largos e tende a ser ainda mais disruptiva. Nesse sentido, ciência de dados, junto com automação e conectividade, entram como grandes impulsionadores de um manejo mais eficiente no campo no campo, favorecendo o aumento da produtividade e minimizando a utilização de recursos naturais.